Não sei, não sabe ninguém
Por que canto o fado
Neste tom magoado
De dor e de pranto
E neste tormento
Todo o sofrimento
Eu sinto que a alma
Cá dentro se acalma
Nos versos que canto
Foi Deus
Que deu luz aos olhos
Perfumou as rosas
Deu oiro ao sol
E prata ao luar
Foi Deus
Que me pôs no peito
Um rosário de penas
Que vou desfiando
E choro a cantar
Se canto
Não sei o que canto
Misto de ventura
Saudade, ternura
E talvez amor
Mas sei que cantando
Sinto o mesmo quando
Se tem um desgosto
E o pranto no rosto
Nos deixa melhor
Foi Deus
Que deu voz ao vento
Luz ao firmamento
E deu o azul
Às ondas do mar
Foi Deus
Que me pôs no peito
Um rosário de penas
Que vou desfiando
E choro a cantar
E pôs as estrelas no céu
E pôs as estrelas no céu
Quem fez o espaço sem fim
Deu luto às andorinhas
Ai e deu-me esta voz a mim
Fez poeta o rouxinol
Pôs no campo o alecrim
Deu as flores à primavera
Ai e deu-me esta voz a mim
1 de novembro de 2009
Amália Hoje - Foi Deus
31 de outubro de 2009
O tempo não volta #5
e vontades marinheiras de aproar
menina em teus lábios sinto fontes
de água doce que corre sem parar
e em teus cabelos nuvens de encantar
e em teu corpo inteiro sinto o feno
rijo e tenro que nem sei explicar
se houver alguém que não goste
não gaste - deixe ficar
que eu só por mim quero-te tanto
que não vai haver menina p'ra sobrar
aprendi nos "Esteiros" com Soeiro
aprendi na "Fanga" com Redol
tenho no rio grande o mundo inteiro
e sinto o mundo inteiro no teu colo
aprendi a amar a madrugada
que desponta em mim quando sorris
és um rio cheio de água levada
e dás rumo à fragata que escolhi
se houver alguém que não goste
não gaste - deixe ficar...
que eu só por mim quero-te tanto
que não vai haver menina p'ra sobrar
Cada Instante
Cada instante
Cada instante a ausência do tempo é uma viagem do silêncio
que em curva ou em recta a viagem se faça de névoas.
Talvez que os ínfimos sinais possam ser a prova prática de uma nova ascese.
Talvez a vida seja apenas um cardo, de seda.
Que mate a sede, e que em sede de claridades só resista um punho, a favor do
entendimento.
Talvez a vida seja apenas um cardo, de seda.
Encontros

A nossa existência é repleta de encontros.
Ao longo da vida,
Deparamos com alguns que nos marcam,
E outros,
Que passando-nos ao lado,
Nunca nos apercebemos sequer que existiram.
Há encontros que nos deixam indiferentes,
Há encontros que nos deixam apenas a sorrir,
Há encontros que nos deixam a pensar,
Há encontros que nos marcam profundamente,
Há encontros que nos mudam a vida.
Nos encontros da vida,
Trocam-se múltiplas experiências.
Experiências de múltiplas origens,
Experiências de múltiplas formas,
Experiências…
Essas experiências,
Tornam-se por vezes,
Pilares da nossa forma de estar,
Referências para o nosso pensamento,
Base para acções futuras.
E assim,
Vamos apercebendo,
Que não devemos desperdiçar,
As possibilidades que nos surgem,
De nos encontrarmos,
De trocarmos experiências,
Porque isso,
A prazo,
Pode tornar-se,
Quase tão importante,
Como respirar.
Actualmente congratulo-me
pelo encontro que jamais pensei ter
E já lá vão muitos dias, traduzidos em anos….
Fica a experiência das vivências, da cultura, dos gostos,
do partilhar, a amizade
E que até hoje, vai durando!
Na forma simples de um “bom-dia”
Como é bom…
Saúdem-se
26 de outubro de 2009
We Can Do Anything
We can do anything at all
Just as long as we stand tall
We can go anywhere from here
Just as long as you’re near
Whenever I’m around you
It all seems so clear
If I wasn’t such a fool
I’d kiss your lips, my dear
We could be the future and the past
…Just as long as we can make it last
We could just let go, very slowly
Cause right now you’re filling my head
With so many silly questions
About human chemistry
They’re making me uneasy
And soft in my knees
When your heart is trying to tell you something
Not that far from the truth…just do it
And if you try to make the right decisions
based on what you’re made of…remember
We can do anything at all
Just as long as we stand tall
Mikkel Solnado
O tempo não volta #4
12 de outubro de 2009
Mafalda Veiga - Gente Perdida
Eu fui devagarinho
Com medo de falhar
Não fosse esse o caminho certo
Para te encontrar
Fui descobrindo devagar
Cada sorriso teu
Fui aprendendo a procurar
Por entre sonhos meus
Eu fui assim chegando
Sem entender porquê
Já foram tantas vezes tantas
Assim como esta vez
Mas é mais fundo o teu olhar
Mais do que eu sei dizer
É um abrigo pra voltar
Ou um mar para me perder
Lá fora o vento
Nem sempre sabe a liberdade
A gente finge
Mas sabe o que não é verdade
Foge ao vazio
Enquanto brinda, dança e salta
Eu trago-te comigo
E sinto tanto, tanto a tua falta
Eu fui entrando pouco a pouco
Abri a porta e vi
Que havia lume aceso
E um lugar pra mim
Quase me assusta descobrir
Que foi este sabor
Que a vida inteira procurei
Entre a paixão e a dor
Lá fora o vento
Nem sempre sabe a liberdade
Gente perdida
Balança entre o sonho e a verdade
Foge ao vazio
Enquanto brinda, dança e salta
Eu trago-te comigo
E sinto tanto, tanto a tua falta
Lá fora o vento
Nem sempre sabe a liberdade
Gente perdida
Balança entre o sonho e a verdade
Foge ao vazio
Enquanto brinda, dança e salta
Eu trago-te comigo
E guardo este abraço só para ti
10 de outubro de 2009
La Coupole
9 de outubro de 2009

Quando é que passará esta noite interna, o universo,
E eu, a minha alma, terei o meu dia?
Quando é que despertarei de estar acordado?
Não sei. O sol brilha alto,
Impossível de fitar.
As estrelas pestanejam frio,
Impossíveis de contar.
O coração pulsa alheio,
Impossível de escutar.
Quando é que passará este drama sem teatro,
Ou este teatro sem drama,
E recolherei a casa?
Onde? Como? Quando?
Gato que me fitas com olhos de vida, que tens lá no fundo?
É esse! É esse!
Esse mandará como Josué parar o sol e eu acordarei;
E então será dia.
Sorri, dormindo, minha alma!
Sorri, minha alma, será dia!
Álvaro de Campos, 7-11-1933
5 de outubro de 2009
O tempo não volta #3
Na profunda esfera da noite,
Quando a ira se desvanece em chuva
E as palavras são território do esquecimento
Aparece o lugar sem nome
Donde se abre certa esperança.
As horas silenciosas e ilimitadas
Atravessam praias negras e vazias
Donde não deixa folhas a espuma do mar.
Sai da sua prisão, por fim, o canto
Para encher ecos da memória.
Na calma espera do amanhecer
Ouvem-se voos de gaivotas e sinos
E cantos puros de distantes vozes
Evocam a luz do novo dia.