13 de outubro de 2012

Inventário Desordenado de Pequenos Prazeres


Estender a mão todas as manhãs. 
Andar em estradas de terra.
Acariciando a casca de uma árvore.
Escrever com caneta.
As primeiras páginas de um livro.
O cheiro de café que vem de repente e se torna desejo.
Olhar através de uma janela.
O silêncio da noite, quando todos dormem.
Um revolto prato de batatas.
A poltrona favorita, chama em todas as horas do dia. 
"Sente-se, sente-se", disse.
Os desenhos animados em família.
Redescobrir  filmes que  quase tinha esquecido e rir novamente com as mesmas cenas então.
As borboletas no estômago quando a minha equipa entra em campo.
A relva recém-cortada.
Acariciar um cão.
Falar de livros.
Sabendo que a memória é uma memória com partilhada.
Desfrutar dos desenhos aos quadradinhos quando criança. 
Trilhos de emoções que levam a um poema. 
Ter uma tarde livre para se perder, em  café,beijos  e uma tarte chocolate.
O nu feminino, sempre imprevisível e mágico.
A contemplação hipnótica do fogo.
Acordar no meio da noite e ainda três horas para levantar-se.
O travesseiro, que sempre entende.
Ouvir  novamente “Trilhos” e verificar que o tempo não se gastou.
As folhas das árvores.
A água quente no chuveiro nas costas. 
Água gelada e viva do rio nas  mãos.
Que não dói nada.
Abrir um velho livro em traços aleatórios e encontrar rastos perdidos de outras vidas.
Uma carícia no pescoço.
Regressar a casa.

6 de outubro de 2012

Abraça-me


1 de outubro de 2012

Contador

Ela sabia demais o que lhe sabia a pouco.
Havia alturas das quais lhe apetecia cair. Nem que fosse num enorme trambolhão. Mas cair de certas alturas podia ser a única solução para deixar de saber de mais sobre aquilo que lhe sabia a pouco.
Ela tinha dias bons. Também tinha dias maus e outros que nem sequer se lembrava de ter vivido e que por isso não deviam ter sido nem bons nem maus. Tinha dias assim. Assim assim.
Tinha muitas gavetas. Entreabertas ou estragadas. Umas que custavam a abrir e outras que nem sequer conseguia fechar. Parecia um móvel daqueles antigos a que chamam contadores. E ela sentia-se assim. Capaz disso. Ou então não. Nem sempre, só às vezes.
De vez em quando sentava-se algures dentro dela e rebuscava nas memórias. Era capaz de sorrir e de vez em quando até já era capaz de se rir de coisas que a tinham feito chorar muito. Outras vezes não.
De vez em quando, quase sem querer, ficava parada a olhar para qualquer coisa que não tinha dito ou para uma coisa qualquer que tinha deixado fora do sítio.
Ela sabia demais o que lhe sabia a pouco.
Queria ser capaz de deixar de se lembrar de muitas coisas e de nunca mais se esquecer de outras tantas. Queria ser capaz de dizer que nunca esperou muito que lhe dessem alguma coisa. Queria que soubesse que o mais importante tinha sido estar ali tanto tempo.
“Contadores”. Podia tentar mexer na palavra. Conta. Dores. Contar as dores. Contar o tempo que passa. A energia que se gasta.
Seria sempre assim. As gavetas seriam sempre pequenas demais para guardar o que se quer e demasiado grandes para descobrir dentro delas o que queremos que deixe de contar.
As coisas todas precisam de muito espaço. Há coisas que não cabem em lado nenhum.
Há coisas assim que crescem cá dentro à medida que vamos ficando mais pequenos diante delas.
Ela sabia que há alturas em que o céu fica demasiado grande e se veste de cores difíceis de explicar.
Apetecia-lhe cair dessas alturas. Deixar-se cair nessas alturas talvez fosse o pretexto que precisava para se levantar.

29 de julho de 2012

Mundial de Motocross Mx1 e Mx2 2012

Mais uma prova do Campeonato do Mundo de Motocross Mx1 e Mx2 realizada em Portugal mais concretamente na Cidade de Águeda, na que é considerada a melhor pista do circuito mundial, pelos pilotos, com as melhores condições logísticas, e sempre com o destaque de melhor organização do campeonato do mundo pela Youthstream. A destacar como sempre, o empenho e dedicação daqueles que connosco colaboram, em nome do Ginásio Clube de Águeda. 









28 de julho de 2012

Paixão da Vida

Esta mão que escreve a ardente melancolia da idade
É a mesma que se move entre as nascentes da cabeça,
que à imagem do mundo aberta de têmpora a têmpora
ateia a sumptuosidade do coração. A demência lavra  a sua queimadura
desde os recessos negros onde se formam as estações até ao cimo,
nas sedes que se escoam com a largura fluvial
da luz e da espuma ou da noite e das nebulosas
e o silêncio é todo branco.
...
É de ouro a paisagem que nasce: eu torço-a entre os meus braços.
E há roupas vivas, o imóvel relâmpago das frutas.O incêndio atrás
das noites corta pelo meio o abraço da nossa morte. Os fulcros das caras
um pouco loucas engolfadas, entre as mãos sumptuosas.
A doçura mata.
A luz salta às golfadas.
A terra é alta.
Tu és o nó de sangue que me sufoca.
Dormes na minha insónia como o aroma entre os tendões da madeira fria.
És uma faca cravada na minha vida secreta
E como estrelas duplas, consanguíneos,
luzimos de um para o outro,
nas trevas.


Herberto Helder
in Antologia Poética da Poesia Portuguesa, por Eugénio de Andrade

6 de maio de 2012

MÃE....


Já lá vão uns anos....quando um dia me dirigi a determinada instituição para fazer uma candidatura....
“...Qual é a sua ocupação? Perguntaram-me, para preencher um formulário.  Não sei o que me fez dizer isto, mas  as palavras sairam: “Sou doutorada em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas.” A funcionária fez uma pausa e olhou-me como quem diz que não ouviu bem...Eu repeti e reparei, como ela ia escrevendo, no formulário. Posso perguntar, disse-me ela com um ar surpreso, “o que faz exactamente?”  Calmamente, respondi : “Desenvolvo um programa a longo prazo, em laboratório e no terreno. Sou responsável por uma equipa e já recebi dois projectos. Trabalho em regime de dedicação exclusiva e o grau de exigência é em nível de  quase 24h. Mais surpresa ficou!!” Quando cheguei a casa, com o título da minha carreira erguido, fui recebida pela minha equipa:  um com 12 anos, outro com 12 anos.
Senti-me triunfante. Ser Mãe a carreira mais árdua, mas a mais gloriosa e compensatória!!

25 de abril de 2012

ABRIL MURCHOU? - Miguel Calhaz





Quando os sonhos já não te acordam a sorrir

Que luas te anoitecem, que nuvens te escurecem,

Que ventos e que chuvas ainda estão para vir?...

Muitos dias passaram depois do adeus,

Em que vila morena é que o povo ordena,

Quem ficou a sonhar os sonhos que eram teus?

Não sentes uma dor fechada, por ter ficado inacabada

A planta onde surgia um lugar melhor?

Passaram-se anos numa espera, de que valeu essa quimera,

Se a mesma lenga-lenga se vai ouvir de cor?

E quando te dás conta já tudo caiu,

Que luta continua, que morte sai á rua,

E em que primeiro dia o Maio amadurece Abril?

E se uns impérios caem que outros vão surgir,

“Que trovas vão avante?”, pergunto ao vento errante,

Se mudam os tempos a vontade é de fugir...

Não sentes uma dor fechada, por ter ficado inacabada

A planta onde surgia um lugar melhor?

Passaram-se anos numa espera, de que valeu essa quimera,

Se a mesma lenga-lenga se vai ouvir de cor?

18 de março de 2012

AINDA AS PALAVRAS...


AINDA AS PALAVRAS...
A palavra escolhida chama-se MUDAR.
E porque MUDAR é uma palavra carregada de dinamismo e por vezes se pode dar ao luxo de um certo atrevimento (que diga-se de passagem até lhe fica muito bem) convém nunca a contrariar quando resolve pôr em acção a determinação que na realidade a define para MUDAR mesmo alguma coisa!!!  Por outras palavras, quando ela liberta grandes ideias e toma iniciativas nem que seja a meio da viagem da vida de alguém... À palavra MUDAR, tudo se deve permitir... Desde um ataque súbito de loucura para abraçar um novo mundo... a um simples deixar que um novo mundo tome conta de nós... MUDAR é uma palavra que mesmo esquecida no guarda-fatos da memória, nos serve em qualquer idade e está sempre pronta a impulsionar os nossos objectivos e a tornar os nossos sonhos realizáveis. Mude a decoração do seu mundo... acrescente-lhe cor e muita LUZ!!! Traga sempre consigo na mala a coragem de MUDAR para melhor!!

22 de janeiro de 2012

A Felicidade Dentro da Infelicidade

Os seres humanos são seres particularmente estranhos e capazes das maiores proezas. Alguns, para serem felizes são até capazes de inventar a felicidade dentro da própria infelicidade...

Eu já vi um pouco de tudo, mas a vida continua a querer mostrar-me coisas muito tristes... Como pessoas fantásticas que possuem todos os trunfos no coração para serem verdadeiramente amadas e se acomodam a um amor menor... pessoas que de tão generosas, passam pela vida como se tivessem estampado um letreiro na testa a dizer que amam, não importa o quê...

Por vezes, amam o egoísmo de quem com elas partilha o "amor" sem estar no AMOR...

Existem pessoas tão drasticamente caridosas que se esquecem que serem amadas, também é um direito...!

18 de dezembro de 2011

Lo que buscas...!!

Retalhos de uma entrevista, hasta 26 años!!


Ha logrado encontrar una cierta serenidad?
- Sí, pero tengo todavía tantas cosas por hacer!...No me doy palmaditas en la espalda para felicitarme. No, no, no!! Tengo todavía muchas cosas por descobrir e aprender sobre mí, sobre la vida, sobre los otros...Cada dia es un eterno volver a empezar.

Qué te falta para lograrlo completamente?
- Esto se lo diré arriba, cuando esté... muerta. Aprenderé hasta mi último aliento; de lo contrario, mi vida no estaria plena. La serenidad se adquiere a cada instante, cambia cada día hasta que la luz se apague. Estoy serena en mi vida, pero nunca nada es perfecto.

Usted, cómo se definiría?
- Un pouquito cansada!! Bien, en realidad yo me veo como una mujer centrada, dinámica, que vive y bebe su época a grandes sorbos y a la que todavía le quedan muchas cosas por vivir.

Cuál es su lema en la vida?
- Tengo muchos, pero en este momento siento ganas de decir: "Sé honesta contigo misma para serlo con los demás". No soporto ni el egocentrismo ni el ombliguismo!
Pero te digo, hasta este momento no se vivir sin un libro, sin una musica, sin un amigo, sin mis escritos, sin piraguismo!!