17 de fevereiro de 2009

Retiro....


Obrigada a todos os que me seguiram durante este tempo.


Obrigada a todos os que se importaram.


Obrigada a todos os que manifestaram o seu carinho para comigo.


Aqui expressei histórias com sentimento na primeira e terceira pessoa.


Alegrias, tristezas, sonhos, verbos e tempos.


Aqui encontrei a força e apoio de muitos.


Aos que me leram desde sempre o meu mais


sincero Obrigada.


Talvez um dia volte, com a capacidade de escrever mais e melhor.







16 de fevereiro de 2009

Montenegro Oswaldo - Metade

É Tempo de Mudar

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

Muda-se o ser, muda-se a confiança:

Todo o mundo é composto de mudança,

Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,

Diferentes em tudo da esperança:

Do mal ficam as mágoas na lembrança,

E do bem (se algum houve) as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,

Que já coberto foi de neve fria,

E em mim converte em choro o doce canto.

E afora este mudar-se cada dia,

Outra mudança faz de mor espanto,

Que não se muda já como soía.

Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"

1 de fevereiro de 2009

Enya - Evening Falls

31 de janeiro de 2009

Mar de Setembro

E foi assim que comecei em 30 de Janeiro de 2007.
A todos os que navegaram nas ondas deste mar de emoções, o meu obrigada. É por vós, para vós e acima de tudo por um gosto muito particular da expressão escrita, ainda com muito para aprender, do gosto de uma musicalidade diferente, das mais diversas formas de mensagem, que por aqui vou andando. Porque " Tudo Isto Existe", num "Barcoalado" e num navegar individual, o meu carinho a todos vós.
Obrigada
Bjs





Tudo era claro;
céu, lábios, areias.
O mar estava perto,
fremente de espumas.
Corpos ou ondas:
iam, vinham, iam,
dóceis, leves -só ritmo e brancura.
Felizes, cantam;
serenos, dormem;
despertos, amam, exaltam o silêncio.
Tudo era claro, jovem alado.
O mar estava perto.
Puríssimo.
Doirado.
  • Eugénio de Andrade

30 de janeiro de 2009

Epifania

...E gosto de ver os olhos de alguém enquanto lê, como é espiando desde cima do texto, que ao estar escrito na vertical e não dar voltas às folhas da sensação de ser um pergaminho, um papiro, rolos da antiguidade, raios de história, ver os seus gestos ao ler, sorrir, perder-se no texto para se voltar a encontrar assistindo de cabeça erguida, olhos abertos e ao mesmo tempo os lábios se entreabrem para jogar, mostra os dentes a língua e joga, desenha um sorriso emula uma gargalhada, solta rios de fé enfeitiçados pelo ar, e segue sem saber o que está a ler nem tão pouco se na realidade o vê, ou se na verdade o está olhando, lendo-o, se me está a espiar a mim enquanto lê, será que pode ver enquanto lê, ou se olha entre as letras, como um espelho, um jardim no mar, simplesmente se vê os olhos, vê-se mover da direita à esquerda, na realidade da esquerda para a direita, mas eu aqui como um espia, já o disse, eu escondo-me de frente...

...deixa-me entrar
deixa-me verte
sussurrar um segredo
na tua orelha
sussurrar como um silêncio
no teu ouvido
sussurrar até te ensurdecer e desatar-te de todos os fios sem mais te soltar e voar, inclusive de costas para a terra, para olhar o céu total, total...

... e cá estou, desde cima vamos pedindo que cuides da minha lua, que absorveu vazios, vazios de madrugadas que sonharam com luas, que sonharam em correr ao chá servido no jardim, sonhando sempre com as madrugadas sorridentes frente às madrugadas abertas, e quando tremendo os lábios falam do vento e da pressa do tempo que se acende sem fé num corpo que se perde nos olhos encandeados pela dor das sombras de se ver, quando não, sem voltar a esconder-se, mas sim quando se cobre de livros pessoais como tormentos que estalam nas paredes que olham como sonhos madrugadores que pensam e teimam em sonhar ao sol, que tremem ao incendiar encandeando as chuvas utópicas que nunca banharam corpos sedentos que gemem sonhando utopias abertas ao sol da flor...

... Deixa-me ver-te
deixa-me entrar
escrever outra vez como nunca
na tua pele
escrever outra vez como sempre
no teu sangue, no vento
escrever até ter dedos outra vez em aros metálicos que se lêem entre céus pintados de vermelho e verde, não como uma cerimónia, nem com interrupções resplandecentes da memória da água, não já não, total para quê...

26 de janeiro de 2009

Queda da Redonda 24-01-2009

Candeias
Foto tirada em São Pedro do Sul a 13-05-1984




E quis a história que o rio te levasse. Quantas vezes mesmo em dias de cheia descemos juntos esta queda, conheciamos o nosso rio tão bem, aí treinávamos, sabiamos onde estavam as estacas, as pedras, os rápidos que nos atiravam para a margem, mas que dominavamos com toda a nossa garra.


A festa que faziamos aquando das cheias, a nossa vida era a água. O Bério receberte-á, como sempre, tu sabes que foi um treinador que nunca nos abandonou, mesmo depois de ter partido. Um dia iremos estar novamente juntos e reviver todas as histórias.


Até já....

25 de janeiro de 2009

19 de janeiro de 2009

Imoral

1 - Adj. Imundo, repugnante, asqueroso, obsceno, imoral.

Honestamente não sou uma pessoa que diga muitas asneiras e muito menos me assusto ao ouvi-las, alguns dizem que é porque sou quarentona, e os quarentões são mochos....a verdade não sei, mas não acredito que seja esse o motivo.
Se não digo asneiras é porque não gosto, mas pelo contrário "encanta-me" a linguagem mordaz, obscena, subtil, porque são poucas as palavras que realmente significam alguma coisa, que têm vida própria, que vivem no nosso interior, fervem e estalam apesar da ambiguidade da palavra em si e em cuja magia cai o mais brutal do nosso ser. Isto para mim são as más palavras.
São as más palavras única linguagem viva num mundo de vocábulos anémicos.
E por isso mesmo não considero mal gastar o brilho desta linguagem.
Ultimamente permite-se o uso de certas palavras na rádio e televisão, são coisas de todos os dias, é uma liberdade de expressão muito grande, a verdade é que existe um retrocesso da linguagem e da expressão, começam a gangrenar as palavras. Essa linguagem que tinha a magia de imutar a quem a escutava e dizia "oh...deve ser importante" agora já se perdeu isso!!! Já não imuta ninguém!
Que dizer para que a palavra volte?
Que dizer para não se afogar quando as palavras precisas para isso se desgastam todos os dias em pueris conversações que não requerem essa carga de emoção?
Que asneiras dizes quando te cai o telemóvel ao chão??? Mas sejamos honestos... ainda que isso nos faça sentir bem, mas bem idiotas.
As palavras agridem aspectos básicos: - a sexualidade, a inteligência e o aspecto físico.
O poder mágico da palavra intensifica-se pelo carácter proibitivo. Ninguém a diz em público, somente num excesso de cólera, uma emoção ou o entusiasmo delirante, justificam a sua franca expressão.
Ao gritá-la rompemos o véu do pudor do silêncio ou da hipocrisia. Manifestamo-nos tal qual somos. As más palavras fervem no nosso interior, como fervem os nossos sentimentos. Quando saem é de forma brusca, brutal, em forma de alarido, de ofensa. São projécteis ou facas, expressões fortes na blasfémia, especializamo-nos na crueldade e sadismo. É simples insultar Deus porque acreditamos nele. Palavras malditas que só pronunciamos em voz alta quando não somos donos de nós mesmos. Confusamente reflectem a nossa intimidade: as explosões da nossa vitalidade iluminam-nas e as depressões do nosso animo obscurecem-nas. Linguagem sagrada.
é aqui que entra a minha analogia um pouco fora do lugar, com certa humildade creio que as asneiras ditas, são como as frases "amo-te".
É uma parceria tal que ultimamente a frase "amo-te" vem envolta no impacto inicial de qualquer relação e se desenvolve a seguir ao primeiro beijo... ou ao primeiro encosto.
Não sou contra o declarar-se o amor, estou contra o desprestígio da palavra e mais que nada o desprestígio do sentimento. Consciente estou de que coisas assim, são meramente subjectivas, cada quem sente á sua maneira, há quem o sinta de uma maneira bem forte, não creio é que se ame relação atrás de relação, amando a todos. Não é um cheque ao portador. Nem todas as pessoas chegam a tocar o coração.
Parece-me algo ilógico que a palavra se forme do nada como se fosse um nome pomposo, como uma lotaria.
As asneiras e a frase "amo-te":
Ambas se desgastam, porque se utilizam quotidianamente como qualquer outra coisa.
Ambas são coisas que não se dizem a qualquer um... só ás pessoas que o merecem realmente.
Se, se dizem no momento adequado, na circunstância precisa ao receptor indicado, pode acelerar o pulso, que o estômago salte e a garganta ameaçando sair pela boca.
Ambas podem chegar a tocar o mais profundo do teu ser.
Ambas são estilhaços de emoções fortes. Grita-las com significado faz-nos sentir mais vivos.
Alguma outra??
Quem sabe este mundo necessite de novas más palavras as ditas "asneiras", ou quem sabe só necessite uma correcta educação de linguagem e sobre tudo ENTENDER o verdadeiro significado das palavras que transmitem emoções fortes.

Foda-se,
Adoro-te.
Qualquer coisa do género.

18 de janeiro de 2009

Fora de Tempo


Não é pacífico mas consegue-se viver o lado morno da vida.
Nos dias mais frios remexem-se as incertezas, nos mais quentes sublinham-se-lhe os contornos…
Deseja-se uma coragem que não se tem, uma honestidade que não se consegue.
Corpo e alma atormentados, aprisionados em vidas que não somos capazes de rasgar.
Quebrarmo-nos, e escolhermos uma parte de nós, não é tão fácil como poderia ser se a vida nos confrontasse num outro tempo.
O tempo certo.
Quando tudo é claro e inofensivo em vez de ser uma batalha.
Sente-se na pele a felicidade que vivemos como sendo relativa.
Pequena quando comparada com a que ansiamos verdadeiramente viver.
E nós?
Nós descobrimo-nos muito mais vulneráveis do que acreditávamos ser.